terça-feira, 1 de agosto de 2017

tempo tempo tempo


tempo tempo tempo

o tempo não tem pressa
são dois ponteiros de um relógio
que morde nervos e músculos
diante dos olhos Dela
:
Ela o tempo que não passa

obs.: na foto: Marcela Sanse - feliz por re-encontrá-la uns 10 anos depois que a conheci ainda criança em Bento Gonçalves-RS




quero voar
Ícaro sem planos de vôo
e nada de panos




seguindo os passos de Anchieta
:
Guarapari Antropofágica

come. come meus pés descalços
e os vestígios de Anchieta
por onde estiver ainda

come. come todos os passos
e vomita os restos na Ampulheta
porque o tempo tarda mas não finda

Artur Gomes
foto.poesia




terça-feira, 11 de julho de 2017

artefato


artefato (poema sujo)

numa cidade abstrata
sem sentido ou significado
matadouro é arte concreta
veracidade é pecado
pago com pena de morte

esta máquina de escrever
fotografada em Itaguara
como um poema de Lorca
escrito em Nova Granada
cravado em Araraquara

você não sabe onde está
você não sabe onde  é
você não sabe de quem foi
este punhal na metáfora
que sangra a carne do boi

Federico Baudelaire



quarta-feira, 29 de março de 2017

jura secreta 29



jura secreta 29

a luz branca de outono
deságua em mim
como mar de outrora
águas de outras eras
em ondas de sal
pra me benzer  aurora boreal
nos olhos de quem me vê

Artur Gomes




segunda-feira, 6 de março de 2017

jura mais que secreta


jura mais que secreta

tenho um segredo sagrado
bem mais que ouro guardado
jura bem mais que secreta
o poema em linha curva
sempre corta a linha reta
uma gisele em flor de lótus
que mesmo fosse abstrata
é coisa do amor que se concreta

na quarta ela estava na feira
em espelhos de artesanato
e a  minha língua solteira
cantava um vapor barato
lembrando da vez primeira
que  meu olho viu teu retrato

teu corpo não era papel
era de osso e carne era de carne e osso
e naquela hora do almoço
em meu corpo foi tanto alvoroço
que deixei a comida no prat0


Federico Baudelaire




terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

sábado, 24 de dezembro de 2016

arte e manha



com língua e dedos
roçar a carne dos teus dentes
penetrar a pele
dos teus poros
e as 7 estradas no mais ínfimo
horizonte do teu corpo
de arte e manha
quando em mim assanha
esta sanha acesa
eu caço a caça e prendo
a presa
na gaiola dos meus todos
todo dia é Dia  de dizer
dos mistérios de todo Dia

Federico Baudelaire
www.federicobaudelaire.blogspot.com 



 a língua molha de saliva nas entrelinhas das tuas coxas no que ela tem de mais profundo a metáfora azul que são teus pelos meus gumes no gomo da tua flor acesa lâmpada nos fios de nylon a eletricidade te energizando os poros pelos 7 cômodos da tua casa uma espada de carne eletri/fica o gozo sob a luz de um  abajour lilás

Artur Gomes 
Suor & Cio 

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

foto.poesia


Metades

metade do corpo oculta
sob os tecidos que te esconde
a outra metade à flor da pele
pluma em pelos
pétala branca montes claros
lente pulsando sobre um corpo
dentro da luz amanhecendo 
do outro lado do espelho
meu olho gótico TVendo

Artur Gomes
sobre a foto de Mariana Mocaiber